Soja: Obtentores se posicionam contra o plantio em fevereiro por enfraquecer o controle da ferrugem

10 de abril de 2019

O debate em torno das sementes salvas de soja e da proposta de alteração do calendário de plantio da soja em Mato Grosso pela Aprosoja MT continua acontecendo e entidades de toda a cadeia produtiva da soja têm reunido documentos, pesquisas e estudos para colocarems suas posições em debate.

A decisão do atual presidente da Aprosoja MT, Antônio Galvan, de se insurgir contra a proibição de plantio próprio de sementes fora do calendário técnico provocou a reação das entidades que reunem os obtentores dos germoplasmas de soja do país, juntamente com entidades que representam produtores de sementes, a pesquisa e associações de produtividade.

Todos se manifestam contra o rompimento do calendário, que determina que o plantio de soja no estado não pode ultrapassar o dia 31 de dezembro. Galvan pretende plantar sementes próprias em fevereiro, alegando que causaria menos pressão sobre os fungicidas. A pesquisa diz o contrário, que esse plantio fora de época provocaria a chamada “ponte verde”, que perpetua a presença de fungos da ferrugem asiática nas lavouras.

Galvan, em entrevista ao Notícias Agrícolas, alega que sua decisão está baseada em experiência própria e que conta com apoio da maioria dos produtores associados à Aprosoja MT. Mas entidades e outros produtores de Mato Grosso e também do restante do País não concordam com o presidente, considerando que, em última análise, está propondo um levante, uma desobediência civil contra as posturas técnicas e ameaçando a sanidade das plantas e colocando em risco as lavouras de soja do mais importante estado produtor de soja.

No link a seguir, confira a íntegra da entrevista de Antônio Galvan e seu assessor técnico, Wanderlei Dias Guerra:

>> Mato Grosso quer plantar sementes próprias na 1ª quinzena de fevereiro

O debate chegou ao Ministério da Agricutura, ao grupo de transição do novo governo e à direção da Embrapa, que se mostram preocupados com a adesão de agricultores ao levante comandado por Antônio Galvan.

Veja ainda a entrevista dos pesquisadores da Embrapa Soja ao Notícias Agrícolas:

>> Fungo da ferrugem na soja de fevereiro pode ser mutante, ter grau de resistência elevado e inviabilizar controle

O debate está posto e o Notícias Agrícolas traz, na sequência, os posicionamentos do Frac (Comitê de ação a resistência de fungicidas), da Aprosem (Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do Matopiba e Pará), BRASPOV (Associação Brasileira dos Obtentores de Vegetais), do CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil) e da Fundação MT.

Com fundamentação técnica, FRAC se posiciona CONTRÁRIO ao cultivo extemporâneo de soja no MT

Posicionamento do FRAC em relação divulgação da “Carta Aberta aos Produtores enviada pela APROSOJA” no dia 17 de dezembro de 2018 intitulada “Calendário de Plantio de Soja: Justificativa e Recomendação aos Associados da APROSOJA que fazem suas sementes de uso próprio com plantios em dezembro”. Leia a íntegra do documento:

 

Aprosem (Matopiba e Pará) aponta que o levante de Galvan é um desserviço para a sojicultura do MT e do Brasil

APROSEM

Estatísticas do Setor Sementeiro revelam, que menos de 15% dos 15.600,000 há de soja cultivadas no Mato Grosso,  são plantados com Sementes salvas.

Considerando que o maior volume de sementes salvas,  são guardadas por grandes produtores estruturados, pode-se concluir, que em número produtores,  esta parcela deve representar menos de 10 % dos sojicultores do MT.
Esta minoria de pessoas, conduzidas à buscar facilidades de alto risco,  certamente não estão avaliando os prejuízo que podem acontecer para os demais 90 % de produtores concientes do MT, que não  devem estar apoiando este inconveniente pleito da Aprodoja-MT.

Não é novidade para quem conhece o Sr. Galvan, que faz parte do seu caracter e da sua conduta, ser contra as empresas que desenvolvem tecnologias que chegam ao campo através das sementes, ser contra ao pagamento de Royalties pelo uso de sementes com estas tecnologias, e também, ser declaradamente contra os produtores de sementes, que na sua nobre missão de sementeiros, fazem a importante conexão entre as empresas de genetica que desenvolvem tecnologias com os agricultores que produzem cada vez melhor com estas sementes.

Concluindo, todos nós sabemos que este pleito da Aprosoja MT, faz parte de compromisso de Campanha do Sr. Galvan para chegar a presidência da entidade.

Era sabido que estando lá, teria voz  para este e outros tipos de desserviços para a sojicultura do MT e do Brasil.

Celito Missio
Presidente da Aprosem – Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do Matopiba e Pará

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Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais

POSICIONAMENTO

A Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais – BRASPOV entidade que representa 20 empresas obtentoras, públicas e privadas, que desenvolvem pesquisa para a criação de novas cultivares no Brasil, diante de informações veiculadas na mídia sobre o “vazio sanitário” e o “Calendário de Cultivo” implementados pelos órgãos de Defesa Agropecuária Estaduais, em razão dos sérios problemas causados pela “ferrugem asiática da soja” e outras pragas e doenças, vem por meio desta manifestar o seu posicionamento.

Os estudos técnicos desenvolvidos pela Embrapa, tornados públicos por meio de “Notas Técnicas” e entrevistas de seus pesquisadores, deixam claro a preocupação daquela conceituada Entidade Pública de Pesquisa, com relação aos prejuízos que um manejo inadequado das nossas lavouras de soja, poderão trazer a toda esta importante cadeia produtiva.

Além dos posicionamentos da Embrapa, tomamos conhecimento de posicionamentos divulgados por outras conceituadas entidades de pesquisa, tais como a Fundação Mato Grosso, Instituto de Defesa Agropecuária do Mato Grosso – INDEA, Associação Brasileira de Sementes e Mudas – ABRASEM e Comitê Estratégico Soja Brasil – CESB que também compartilham da mesma preocupação.

O problema ainda é agravado, pelas informações disponibilizadas pela indústria de defensivos agrícolas, que tem informado ao público em geral, que o “pipeline” de novos ingredientes ativos fungicidas, com novos modos de ação, demandam muitos estudos científicos. O sistema regulatório é complexo e moroso, levando a uma previsão de lançamento de novos produtos para combater a “ferrugem asiática da soja”, apenas para além dos próximos 10 anos.

Diante dessa grave situação, e considerando que este calendário de plantio foge totalmente das recomendações técnicas para as cultivares de soja, o que gera a preocupação de um potencial aumento de “semente própria”, em não conformidade com o sistema de gerações e de certificação de sementes, a BRASPOV manifesta o seu posicionamento CONTRÁRIO ao cultivo fora das épocas recomendadas pelos órgãos técnicos e de pesquisa, e entende que, somente um adequado manejo da lavoura, com respeito ao “vazio sanitário” e ao devido “calendário de cultivo”, poderemos fazer frente ao desafio de controlar a “ferrugem Asiática da Soja”. Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais

O Brasil é um País com vocação Agrícola, e temas desta relevância tem que ser tratados de forma técnica e responsável, sob pena de colocarmos em risco a nossa competitividade.

BRASPOV – Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais

CESB diz que o plantio fora do calendário coloca em risco a produtividades dos sojicultores brasileiros

CESB – NOTA OFICIAL

Soja Safrinha

O CESB – Comitê Estratégico Soja Brasil, entidade sem fins lucrativos, qualificada como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), formada por produtores, profissionais, professores e pesquisadores de diversas áreas, que se uniram para trabalhar estrategicamente e utilizar os conhecimentos adquiridos nas suas respectivas carreiras e vivências, em prol da Sojicultura brasileira, tem por objetivo estimular a busca pelo aumento constante e sustentável da produtividade da soja no país.

É compromisso do CESB contribuir de forma referencial para o crescimento da produtividade e sustentabilidade da cultura da soja junto à sua cadeia produtiva e sociedade. Para isso, nossas atividades concentram-se no compartilhamento de conhecimento e técnicas práticas de manejo, produção e sustentabilidade, que se apresentam em consonância com as principais premissas de sua organização.

As condições favoráveis de mercado, associadas a um amplo portfólio de tecnologias, têm motivado os produtores a investir para aumentar a produtividade e também a expandir a área cultivada com soja. Tendo em vista as limitações legais para o avanço da cultura em novas áreas, além do interesse em produzir sua própria semente (semente salva que é um direito legal, desde que exclusivamente para uso próprio), dentre outros fatores, tem crescido o interesse dos produtores pelo cultivo da soja na segunda safra (safrinha – fora da época recomendada e definida por lei na grande maioria dos estados produtores), principalmente em sucessão à soja, ao milho e ao feijão.

Alinhada com notas técnicas emitidas pela Embrapa e por várias instituições nacionais de pesquisa, onde alertam sobre a sucessão da cultura de soja sobre soja (soja safrinha), apresenta problemas fitossanitários agravados pela maior presença de inóculo de doenças, principalmente de ferrugem asiática, por sua agressividade e dispersão, e de outras pragas, podendo aumentar as doenças causadas por fungos de solo e por nematoides, além do ataque por pragas, especialmente percevejos, mosca-branca, lagartas, como a Helicoverpa armigera (Hubner), ácaros e percevejo castanho.

Ressalta-se que esses problemas tendem a se tornar mais graves também na soja da próxima safra (plantio em época recomendada), sendo desastroso dentro de um sistema de produção.

Todos esses fatores fazem com que a produção de soja fora da época recomendada e definida por lei, se constitua em uma atividade de alto risco para o produtor, para sua região, para seu estado e para o país, podendo inviabilizar toda uma cadeia que representa economicamente a mais importante cultura para o Brasil na balança comercial, que agrega valor e renda aos cidadãos e a sociedade.

Dentro destas premissas e seguindo o que a ciência define e recomenda, o CESB, condena e desaprova efetivamente o plantio de soja fora da época recomendada e definida por lei nos estados brasileiros e se solidariza a Embrapa e demais instituições que referendam seus pareceres a favor da continuidade e sobrevivência da sojicultura do Brasil.

Atenciosamente,
Luiz Nery Ribas
Presidente do CESB – Comitê Estratégico Soja Brasil

Fundação MT não concorda com Galvan e prefere reforçar a confiança na pesquisa

Fundação MT

Veja ainda uma carta aberta da Aprosoja MT:

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